Primeiras Inseguranças: Estudando Ciência da Computação nos Estados Unidos

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Primeiras Inseguranças: Estudando Ciência da Computação nos Estados Unidos
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Eu cheguei nos Estados Unidos no dia 1º de setembro de 2016, um dia antes do meu aniversário de 24 anos. Era uma quinta-feira. Eu já havia perdido duas semanas de aula (além da reunião com os estudantes internacionais). Apesar disso, eu estava feliz e animada para começar meu curso de Ciência da Computação nos Estados Unidos, mas muito, muito insegura:

    1. O que estava na lousa não era marketing, nem comunicação, nem publicidade: eram ALGORITMOS. Na minha primeira aula de Data Structure, lembro de ter pensado: “mas eu nunca vou conseguir lembrar como faz log, ou como calcula bigO” – era tudo tão complexo, que chegou ao ponto de eu mesma duvidar se eu sabia a tabuada.
      → Mas eu sabia, e ainda sei. E reaprender muita coisa que você já estudou no colegial pode não ser tão difícil como você imagina.
    2. Conteúdo todo em inglês: Por mais que eu conseguisse falar e me comunicar, um medo gigantesco de não entender tomava conta de mim, o que me deixava nervosa e, consequentemente, me fazia reter só 70% do conteúdo. Mas, vejam só amigos, eram os outros 30% que caiam na prova – hahahaha.
      → Passado um semestre, você destrava e começa a assimilar as aulas sem nenhuma dor. O conteúdo das disciplinas se tornam mais fáceis do que o sotaque do atendente do Subway.
    3. Professores internacionais: das três matérias que eu estava cursando, duas eram com professores internacionais: um da China, que mal falava inglês; e outro da Jordânia, que tinha um bom inglês, mas com um sotaque que não ajudava.
      → Apesar da dificuldade com a língua, conversar com os professores internacionais é muito bom porque eles também vieram de uma cultura totalmente diferente da minha, enriquecendo as conversas mesmo fora da sala de aula.
    4. A classe era majoritariamente composta por homens: e majoritariamente eu digo 90%. Estar em uma sala de aula com um conteúdo totalmente novo, dado por professores que não falam sua língua, e em um ambiente que não incentiva as mulheres a seguirem carreira na área, não é lá encorajador, e me fez pensar em desistir diversas vezes.
      → Mas eu não desisti. E pesquisando sobre essa pouca representatividade, li sobre muitas mulheres, aqui nos EUA e também no Brasil, que estão unidas para mudar essa porcentagem e encorajar mais garotas a entrarem na área de Engenharia e Ciências. Alguns desses grupos são:  Systers, do Anita Borg Institute, Women Techmakers, do Google, ACM-WomenWomen in TechnologyWomen in Cybersecurity e Latinas in Computing. No Brasil: PyLadies, MariaLab e Programaria.
    5. Estar longe da família e amigos pode parecer fácil nos primeiros meses, mas a saudade chega, e a ficha cai que você não está aqui só visitando, passeando – e talvez nem saiba quando vai vê-los de novo.
      → Mas isso não me impede de checar os preços das passagens toda semana e cruzar os dedos pro dólar cair…

As inseguranças são normais em qualquer novo ambiente. Sendo mulher, muitas situações fazem a gente se sentir inferior e incapaz. Nós só não podemos deixar o medo do futuro tomar conta do nosso dia a dia e dos nossos objetivos, sejam eles de curto, médio ou longo prazo. O melhor a se fazer é transformar todas as incertezas e dificuldades em oportunidades de crescimento. Questionar sempre, querer aprender, querer entender. Não ter vergonha de perguntar ou de errar.

Se você tem interesse em vir pros Estados Unidos estudar Ciência da Computação, ou tenha qualquer curiosidade sobre o campo e as universidades, deixe seu comentário ou mande um e-mail através da aba Contato, e vamos conversar! 🙂 Ah, e se souber de outras redes femininas voltadas à Ciência da Computação, também deixe seu comentário!

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