7 Razões Para Fazer um Intercâmbio Voluntário na Índia

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7 Razões Para Fazer um Intercâmbio Voluntário na Índia
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Estar prestes a se formar na faculdade é aquele momento da vida que a gente para e pensa (às vezes nem para, e nem pensa): “O que vem depois de tudo isso?”. Talvez você já tenha sido efetivado, talvez não, ou talvez esteja ansioso para ser; talvez você queira mudar de profissão, mas ainda não tomou coragem pra contar pros seus pais; talvez você já tenha um trainee garantido para o próximo ano, talvez não; talvez você esteja a ponto de abrir o seu próprio negócio; ou talvez você só queira ir pra bem longe, tão longe mas tão longe, que será lá mesmo que você irá se encontrar.

E eu quis ir pra Índia fazer intercâmbio voluntário. Sim! Pra terra do Ghandi, das pashminas, do Taj Mahal. Lá longe onde a vaca é sagrada, e as pessoas sorriem dia e noite. Onde as ruas são barulhentas, mas você toma o melhor chai (bebida indiana feita a base de chá, leite, e algumas ervas) com biscoito em qualquer esquina. Onde há muita desigualdade, e você aprende a se colocar no lugar do outro e ser grato pelo que tem. Morei na Índia por 2 meses, de Janeiro e Fevereiro de 2014, participando de um projeto voluntário pela AIESEC. Eu recomendo essa experiência pra todo mundo!

Aqui, listo 7 razões que vão te fazer se apaixonar pela Índia e querer fazer um intercâmbio voluntário por lá:

  1. Você vai ser tratado com carinho

Os indianos adoram os estrangeiros – até eu, que sou morena e ouvi que tinha cara de indiana (em um dos templos, uma mulher começou a conversar comigo em hindi achando que eu estava entendendo – e pediu desculpa ao perceber que eu não era de lá). Eles são carinhosos, atenciosos. Te convidam pra entrar em suas casas e tomar chai como se você fosse da família. As crianças do projeto, os amigos da Delhi University, o pessoal do apartamento, sem exceções, todos sempre foram muito gentis e solícitos.

Costumes indianos Delhi India

Foto 1: Vestindo o saree emprestado pela indiana // Foto 2: amendoins indianos, biscoitos e chai

  1. Você vai sentir de verdade o impacto do seu trabalho

Meu intercâmbio voluntário foi pela AIESEC da ESPM-SP. A princípio, o projeto era para estudar sobre o sistema de castas da Índia e fazer ações para combater o preconceito (mesmo que esse sistema já tenha sido extinto, ele ainda está muito presente nas relações da cultura indiana). O primeiro mês foi focado nisso, trabalhávamos dentro do escritório. Já o segundo mês foi exatamente como eu sonhava: nós fomos dar aula de inglês básico para as crianças do norte de Delhi, capital do país. Em 4 semanas na ONG Truthseekers International, desenvolvi, com um amigo brasileiro, um projeto de arrecadação de doações. Em 1 semana, conseguimos arrecadar mais de U$800. Com esse dinheiro compramos cadeiras, lousas, material escolar, cobertor, filtro de água, e várias outras coisas. Segundo o diretor da ONG, isso equivalia a 25% do que eles arrecadavam anualmente. A sensação de estar ajudando e fazendo a diferença, mesmo que durante pouco tempo, não tem preço e foi a parte principal de toda a viagem.

Dreamland School

  1. Você vai se conectar com você mesmo de uma forma que você nunca imaginou

Um país cheio de história e energia: a Índia mudou o jeito que eu enxergava a vida. Um dos principais momentos que eu percebi isso foi em uma de nossas viagens de final de semana. Eu e mais cinco amigos fomos para Rishikesh. Rishikesh fica no estado de Uttarakhand, próximo aos Himalaias, no norte da Índia, com cerca de 100 mil habitantes. A cidade é cortada pelo Rio Ganges que, apesar de ser muito poluído em outras regiões, ali é bem limpo – você consegue entrar no rio, e se ‘purificar’ como eles dizem. Rishikesh é conhecida pelos seus famosos ashrams (templos religiosos da tradição hindu), e é considerado um lugar religioso – alimentação não-vegetariana e álcool não são permitidos na cidade. Rishikesh é também a cidade que Sri Prem Baba (líder espiritual brasileiro) dirige um ashram – em determinadas épocas do ano, ele está por lá. Em outro post, vou contar mais sobre essa cidade, que merece um destaque especial. Foram 4 dias intensos de passeio, aulas de yoga, massagem, ritual no Rio Ganges – enfim, uma paz de espírito indescritível (você precisa ir pra conhecer, sabe? 😉 ).

Ganga Arti Rio Ganges Rishikesh

Durante o Ganga Arti, celebração hindu para a mãe Ganga, às margens do Rio Ganges

  1. Eles amam dançar – e vão fazer você amar também

Das crianças até os mais velhos. Não conheci nenhum indiano que não gostasse de dançar. Eles adoram música (asiática, indiana, latina, e por aí vai). Não tenha vergonha e dance com eles! Toda essa alegria é contagiante.

Costumes indianos Delhi India

Foto 1: Crianças dançando na DreamLand School // Foto 2: Pessoal do projeto na casa de uma família indiana

  1. Você vai realmente conhecer uma cultura diferente da sua

Ir pra Índia fazer trabalho voluntário é diferente de ir fazer turismo. Foram 2 meses de aprendizado e imersão total na cultura e costumes dos indianos. Dormir onde eles dormem, comer o que eles comem, lavar roupa (no balde) como eles lavam, fazer compras nos mercadinhos, tomar chai e comer biscoito na rua, pegar tuktuk (meio de transporte mais comum na Índia), etc. Lógico que nós tivemos nossos momentos de turistas passeando por outras cidades, mas foram apenas nos finais de semana. Se você quer fazer trabalho voluntário e conhecer a fundo uma cultura diferente, você deve ir pra Índia!

Tuk tuk India Delhi

  1. Você vai aprender a sair da sua zona de conforto (e vai entender que a desigualdade que existe por lá está intrinsecamente ligada à crença religiosa)

É triste pensar e ouvir isso, mas o sistema de castas, apesar de abolido desde 1950, ainda está muito presente no cotidiano dos indianos. Segundo o Hinduísmo, o Brahma, o maior deus da religião, possui em si todas as castas, representados: a cabeça (sendo a casta mais alta – Brahmas); braços (xátrias); pernas (vaixás); os pés de Brahma (sudras). Além dessa representação, há também aqueles que não pertencem a nenhuma casta – os famosos ‘dalits’. Segundo esse sistema, se você nasce em determinada casta, não há nada que você faça que poderá mudar a sua condição social – uma vez dalit, sempre dalit, por exemplo. Isso afeta diretamente no empoderamento das pessoas no geral e, consequentemente, ainda gera muita desigualdade social.

  1. Você vai conhecer uma das arquiteturas mais belas e antigas do mundo

E eu não estou falando só do Taj Mahal. Eu viajei apenas pelo norte do país, e já fiquei encantada com a beleza de suas arquiteturas: Hawa Mahal, Nahargarh Fort, Golden Temple, Red Fort, Indian Gate, Iskcon Temple Delhi, Parliament House, Taj Mahal, Jaigarh Fort, Jim Corbett National Park at Nainital, e muitos outros lugares.

Túmulo de Humaium Golden Temple Amritsar

Foto 1: Túmulo de Humaium em Delhi – 1572 // Foto 2: Golden Temple em Amritsar – 1604

E se sete razões ainda não te convenceram, posso te dar a 8a:

  1. Você vai conhecer pessoas totalmente diferentes que são, ao mesmo tempo, parecidas com você

A Índia me trouxe bons amigos, de diferentes partes do mundo, que estavam ali com o mesmo objetivo que eu: doar seu tempo e com vontade de aprender mais sobre a cultura e o país, através do intercâmbio voluntário. Conhecer essas pessoas é precioso e vale toda a jornada. Aos meus, especiais: Hajar, Ghada, Caro, Alia, Alejandro, Aaron, Pedro, Luiz, Greco, Lupi, Pia, Kitti. I miss you all.

India Intercambio

E ai? Não é de se apaixonar? Se você estiver interessado em ir pra Índia, seja para passear ou fazer trabalho voluntariado, me escreve! Vou ficar feliz em te ajudar! 🙂

@ Todas as imagens são do meu arquivo pessoal.

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  1. Fantástica a sua descrição. Fantástica a mudança que essa viagem fez em sua vida!
    Você é o máximo, minha filha. Temos orgulho de voce!

  2. Mariana, fiquei encantada com o seu post! Me inspirou demais! Eu tenho 20 anos e estou na faculdade, pretendo fazer trabalho voluntário na Índia nas próximas férias, mas o que mais me deixa nervosa é a questão de que nunca viajei sozinha, e viajando sozinha pela primeira vez e ainda mais pra outro país me dá um medo gigantesco e daí fico na dúvida se devo ir ou não. Como é lá em questão de segurança? É realmente perigoso como todo mundo fala? Ficarei muito grata se você puder responder para me ajudar! Muito obrigada, beijos!

    • Oi Danielle, tudo bem? Desculpe a demora na resposta. Fico feliz que tenha gostado do post. E fico mais feliz ainda de saber que você está considerando a Índia para suas próximas férias. Quanto tempo você quer passar lá? Em qual região do país?
      Olha, a Índia é um país lindo e rico em muitos aspectos, não tem um dia que não lembro de lá com muito carinho. É um país perigoso sim, mas, essa também foi a minha primeira viagem ‘sozinha’ – fui pra Disney aos 13 anos, mas com vários amigos saindo da mesma cidade – é diferente, né? Eu aconselho a você se preparar bem, em relação a dinheiro (ter um cartão de saque ao invés de levar tudo em dinheiro), levar vários remédios, anotar todos os endereços dos lugares que você for ficar hospedada por lá, o contato das pessoas que você vai estar por lá (caso você esteja indo fazer algo como eu fiz). Caso você vá a passeio/sozinha/hotel, também vale tomar todas essas precauções. Se quiser, me manda um e-mail no [email protected], me conta um pouquinho mais e podemos conversar. Tem algumas coisas do dia a dia que se você souber vai ficar fácil de andar por lá. Vou ficar super feliz em compartilhar com você. Beijos e obrigada pelo carinho 🙂

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