Choque cultural: Do Rio para o Sul dos Estados Unidos

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Choque cultural: Do Rio para o Sul dos Estados Unidos
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Muitas pessoas pensam que vir para os Estados Unidos é sinônimo de vida boa, dinheiro fácil e emprego garantido. Para quem quer vir estudar, a vida de estudante é bem apertada. Por ter largado meu emprego estável no Brasil, vir pra cá mexeu muito comigo, emocional e financeiramente. Morei 5 anos em São Paulo, 2 meses na Índia e 2 anos no Rio.

Atualmente, estudo e moro em Jackson, Mississippi, uma região dos Estados Unidos que não é tão atrativa para os turistas, mas que tem me ensinado muito sobre mim mesma. Aqui, algumas coisas que eu senti saindo do Rio de Janeiro e vindo para a capital do Mississippi:

1. Estudo

Apesar de já não morar na casa dos meus pais há 7 anos, vir para um novo país estudar um ramo completamente novo faz parte do meu choque cultural, principalmente pelo fato da maioria das pessoas que encontrei terem uma vivência em Exatas e serem completamente diferentes de mim.

Por serem tão diferentes, há uma palavra que a gente ouve falar muito por aqui: diversidade. A área de tecnologia sempre me encantou muito e, quando descobri que ela é tão diversa e abrange tantas áreas do conhecimento, fiquei ainda mais fascinada. Nas minhas turmas, há estudantes internacionais de todos os cantos do mundo: americanos, latinos, indianos, chineses, europeus.

No Brasil, nunca me deparei com uma sala tão diversa. Você saber lidar com essa pluralidade, estar aberto a ouvir outros pontos de vista, conviver com culturas e costumes diferentes faz toda diferença, te faz uma pessoa melhor, mais tolerante e com mais compaixão. É como ter o mundo em um só lugar e, ao mesmo tempo, mostrar o seu próprio para os outros.

2. Família/Amigos

No inicio, parecia fácil aguentar as saudades e pensar que eu poderia fazer novos amigos por aqui. Sim, a gente consegue. Saber conviver socialmente, fazer amigos (e ser um bom amigo), às vezes é difícil e leva tempo. Aqui não é o Brasil, e nunca será. Ninguém consegue substituir o colo da mãe, o abraço do pai e os beijos dos irmãos e irmãs. As pessoas com quem mais me abri foram brasileiras ou latinas. Falar português, ou arranhar o portunhol, pode ser um bom artifício para matar as saudades de casa.

3. População

Eu amo o Rio de Janeiro – e não há nada que consiga me fazer pensar o contrário (risos). Eu sou apaixonada por cada canto daquela cidade: as paisagens, as praias, as pessoas, as músicas e a comida. Com uma população de 6,5 milhões de habitantes, e com festas r

olando dia e noite (alô paulistas, SP rola mais, eu sei), fica fácil competir com Jackson, com uma população de 170 mil habitantes, com uma vida noturna fraquíssima e poucas atrações. A cidade tem suas vantagens: se você viajar para cidades ao redor, você consegue ver muita natureza, passear no Rio Mississippi, no Red Bluff (mais conhecido como o Grand Canyon do Mississippi), e fazer bate-volta em New Orleans quando quiser. Sim, o melhor de Jackson é New Orleans (risos).

E o melhor de New Orleans é que lembra muito o Rio de Janeiro.

New OrleansNew Orleans

4. Comida

Eu amo comida brasileira: arroz, feijão, carne e salada. Se for churrasco, então, tô dentro. Eu adoro a diversidade que temos por aqui: comida mexicana, tailandesa, indiana, vietnamita, espanhola, americana (!), e por aí vai. Mas nada substitui o gostinho de casa. Aqui vai uma má noticia: em Jackson não tem nenhum restaurante ou mercado brasileiro.

Por isso, sempre que vou pra New Orleans, Little Rock, ou outras cidades grandes de estados vizinhos, eu aproveito pra conhecer um restaurante brasileiro e comprar algumas coisinhas (BIS, pão de queijo, açaí, Sonho de Valsa, amendoim, tapioca, paçoca…). Ah, e pra quem também mora em cidades que não tem nada do Brasil, aqui vai uma dica: além de na Amazon você encontrar muita coisa (só é um pouquinho mais caro), existem outros mercadinhos online brasileiros, como o Rio Super Market e o Brazilian Shop.

5. Segurança

Uma das cidades mais violentas do Brasil, o Rio de Janeiro nunca me atraiu pela segurança (em cinco anos, nunca fui assaltada em SP; no Rio, em dois já levaram o meu colar) – os índices de criminalidade e roubos são bem altos. Aqui nos Estados Unidos, a gente se sente mais seguro e confiante ao andar na rua, apesar de nem mesmo Jackson ser considerada umas das cidades mais seguras dos Estados Unidos.

Apesar de toda a diferença, pontos positivos e negativos, sempre sentimos que vale a pena todo o esforço em estar longe de quem amamos. Eu e meus amigos brincamos que seria lindo se pudéssemos trazer nossas famílias e amigos para cá. Teríamos o melhor dos dois mundos, a qualidade de vida daqui e quem a gente ama por perto. De qualquer maneira, mudar de país, curso, cultura, ser parte de uma comunidade de estudantes internacionais, faz você abrir sua mente e crescer pessoalmente.

Esse choque cultural me mudou muito, e me fez agradecer por tudo o que aconteceu comigo até aqui. E você, quer vir pra cá? Se quiser saber mais sobre como é a vida aqui no sul dos Estados Unidos, ou como é estudar Ciência da Computação, deixe seu recado, vou ter um prazer enorme em responder!

*Esse texto é de minha autoria e foi originalmente publicado no site Brasileiras pelo Mundo.

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